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Escola Anísio Teixeira e outros 18 agricultores recebem certificação orgânica participativa no Programa de Desenvolvimento Territorial Agroecológico em Irecê

Iniciativa une formação para certificação orgânica, acompanhamento técnico nas unidades produtivas e articulação para acesso a mercado, fortalecendo a transição agroecológica e a geração de renda de agricultores familiares

11/06/2026 às 11h17 Atualizada em 11/06/2026 às 11h21
Por: Pascoal Ferreira
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Escola Anísio Teixeira e outros 18 agricultores recebem certificação orgânica participativa no Programa de Desenvolvimento Territorial Agroecológico em Irecê

Uma iniciativa realizada por Instituto Lina Galvani (ILG), Gaia Social, Núcleo Raízes do Sertão e Secretaria de Agricultura, Pecuária e Política Rural de Irecê está fortalecendo a produção de alimentos orgânicos em Irecê. O Programa de Desenvolvimento Territorial Agroecológico, que vem sendo realizado desde agosto de 2025 com 19 unidades produtivas, entre elas a da Escola Municipal Quilombola Anísio Teixeira, agora colhe seus primeiros frutos com todas as unidades produtivas aptas a receberem a certificação de produção orgânica. 

Em sintonia com as celebrações da Semana do Meio Ambiente, o evento de certificação dos agricultores e agricultoras acontece em 3 de junho, às 15h, na Escola Quilombola Anísio Teixeira, em Lagoa Nova, no território de Irecê (BA). Nesta primeira turma, participam agricultores de 5 comunidades: Itapicuru, Mocozeiro, Meia Hora, Lagoa Nova e Baixão do Zé Preto, sendo essas duas últimas comunidades quilombolas. Outra grande conquista foi contar com a participação da Escola Municipal Quilombola Anísio Teixeira, e que participou de todo o processo com o seu quintal produtivo e será a primeira escola quilombola do Brasil com o selo de produção orgânica.

O processo foi estruturado em três pilares: a formação proporcionada pelo núcleo Raízes do Sertão, vinculado à Rede Povos da Mata, teve como objetivo orientar o grupo de agricultores participantes a obter a certificação. O segundo pilar foi o acompanhamento técnico individualizado, com orientações diretas aos produtores. Por fim, o pilar de acesso ao mercado que conta com a articulação e parceria com a Secretaria de Agricultura de Irecê para que os agricultores participantes possam acessar novos canais de comercialização, como as feiras locais, o PAA e o PNAE e aumentarem a renda gerada mensalmente através da sua produção. 

Benefícios

O programa ainda colabora para a transição agroecológica promovendo mudanças na forma de produzir, reduzindo a dependência de insumos externos e valorizando o manejo sustentável. Além de impactar positivamente a renda dos agricultores, pois a produção orgânica certificada costuma agregar valor aos produtos, o programa também contribui para a autoestima dos agricultores e das comunidades em que vivem. 

No dia a dia, os resultados já aparecem na forma de uma produção mais diversificada, redução de custos e fortalecimento da troca de conhecimento entre os produtores. O modelo é ganha-ganha porque além de aumentar a renda do produtor, também amplia a confiança na origem e na qualidade dos produtos que chegarão à mesa das famílias.

“Estamos muito orgulhosos com essa conquista, porque além dos 18 agricultores certificados como orgânicos em Irecê, que vão contribuir ainda mais para uma produção de alimentos sustentável no território, também conseguimos ter a primeira escola quilombola do Brasil a obter a certificação orgânica. Isso vai trazer ainda mais visibilidade para Irecê e para as comunidades quilombolas, reforçando a importância que essas comunidades tradicionais possuem como guardiãs dos saberes tradicionais, como as sementes crioulas. Acreditamos muito na transição agroecológica como caminho de fortalecimento da autonomia dos produtores sendo uma base mais sustentável para o desenvolvimento local”, afirma Welson Alves, coordenador de Investimento Social do Instituto Lina Galvani (ILG)

A secretária de agricultura e pecuária, Juliany Mendes, destacou que a certificação dessas 19 unidades produtivas representa um marco histórico para Irecê. “Este é o maior número de agricultores familiares certificados como orgânicos mobilizados em uma única iniciativa, demonstrando que a agroecologia é um caminho viável para gerar renda, fortalecer a segurança alimentar e promover o desenvolvimento sustentável no campo. Mais importante do que a certificação em si é o fato de que esses agricultores já estão produzindo e acessando mercados institucionais, como o Programa de Aquisição de Alimentos (PAA), garantindo renda para suas famílias e levando alimentos saudáveis para a população. A Secretaria de Agricultura tem orgulho de contribuir com esse processo e seguirá trabalhando para ampliar o número de produtores orgânicos em nosso município”, afirmou.

A experiência em Irecê aponta para um modelo replicável de desenvolvimento rural, que integra sustentabilidade, organização comunitária e valorização da agricultura familiar. Como próximos passos, um grupo de trabalho de organizações locais diversas como (Agrocoop, CESOL, Núcleo Raízes do Sertão, CODETER, Secretaria de Agricultura de Central, Secretaria de Agricultura de Irecê, CAR e CAA) vem sistematizando esta metodologia com o objetivo de entregar até o final do ano um protocolo de transição agroecológica que possa servir de inspiração e apontar caminhos para outras organizações e municípios que queiram implementar algo parecido, ampliando ainda mais o impacto da iniciativa e o legado de desenvolvimento territorial no semiárido baiano.

Sobre o Instituto Lina Galvani

O Instituto Lina Galvani é uma organização da Sociedade Civil (OSC) dedicada a apoiar e desenvolver iniciativas que favoreçam desenvolvimento comunitário, inclusão produtiva e conservação ambiental nos locais onde sua mantenedora, Galvani, tem unidades — Angico dos Dias (BA), Luís Eduardo Magalhães (BA) e Irecê (BA).

Ao longo de seus 23 anos de atuação, o Instituto ultrapassou a marca de R$ 56 milhões investidos, beneficiando cerca de 72 mil pessoas. Suas atividades de inclusão produtiva resultaram em até 76% de incremento na renda dos participantes, consolidando um dos principais indicadores de impacto de 2025.

Sobre a Galvani

A Galvani é uma empresa 100% brasileira com presença consolidada no setor há mais de 50 anos, operando em mineração, beneficiamento, industrialização e distribuição de fertilizantes fosfatados.

Líder na região agrícola do Matopiba (Maranhão, Tocantins, Piauí e Bahia), a Galvani opera com um complexo industrial em Luís Eduardo Magalhães e uma unidade de mineração em Campo Alegre de Lourdes, além de contar com novos projetos na Bahia, visando expandir suas operações.

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