Brasil e Mundo

Ponte para o futuro ou pinguela para o passado?

Presidente do Sindicato dos Bancários de Irecê e Região avalia o cenário para a classe trabalhadora com a possibilidade do impedimento da Presidente da República
Carlos Alberto Bezerra*

O Brasil assistiu estarrecido no último 17 de abril, a um espetáculo de horrores proporcionado pela maioria dos Deputados Federais, que culminou num forte ataque à democracia, para o qual não pode haver outra denominação que não seja, golpe!

 

Ali se viu de tudo, num cenário digno de comédia pastelão, houveram homenagens a igrejas, netos, filhos, esposas e até mesmo a marido preso no dia seguinte por corrupção. Valia tudo pelo SIM, SIM, SIM!, menos a tipificação do suposto crime cometido pela Presidente da República, as tais pedaladas fiscais.

 

Mas e agora, aonde tudo isso vai desaguar?

 

Com a real possibilidade de aprovação do impedimento da Presidente no Senado Federal, assumirá Michel Temer do PMDB e o seu programa denominado “Uma Ponte Para o Futuro”.

 

É sobre isso que queremos tratar aqui, afinal, o que está escrito nas 19 páginas do documento, significa, sem nenhuma dúvida, o pior dos mundos para a classe trabalhadora e para o povo em geral. Senão vejamos...

 

Entre outras críticas, o programa aponta que “Nosso desajuste fiscal chegou a um ponto crítico”, e assevera, “Sua solução será muito dura para o conjunto da população...” Critica ainda, chamando de excessos, a criação e ampliação dos programas sociais e a admissão de novos servidores ao Serviço Público. Traduzindo: menos Bolsa Família, Minha Casa Minha Vida e Concursos Públicos.

 

Ataques aos direitos trabalhistas

 

Para a classe trabalhadora, mais tragédias na tal "ponte", como bem faz questão de destacar a jornalista Tereza Cruvinel em seu artigo intitulado “Acertar em cheio contra quem?”, onde aponta seis pontos fundamentais de do Programa que são extremamente nocivos à sociedade:

 

1.            Permitir que as convenções coletivas prevaleçam sobre as normais legais.

2.            Acabar com as vinculações constitucionais dos gastos com Saúde e Educação.

3.            Fim de todas as indexações seja para salários, benefícios previdenciários e outros encargos federais.

4.            Ampliar a idade mínima para aposentadorias.

5.            Política de desenvolvimento centrada na iniciativa privada com novas privatizações se necessário.

6.            Limitar as despesas de custeio num percentual inferior ao crescimento do PIB. 

 

Trocando em miúdos, o que vem por aí, nada mais é do que retorno ao neoliberalismo escancarado. Então, o que teremos na verdade é a instalação de uma pinguela para o passado.

 

Trabalhadores, uní-vos!

 

*Carlos Alberto Bezerra, é Presidente do Sindicato dos Bancários de Irecê e Região

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