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‘Imploraram que parassem’, diz mãe de sanfoneiro baleado em ação policial que terminou com morte de dançarina

‘Imploraram que parassem’, diz mãe de sanfoneiro baleado em ação policial que terminou com morte de dançarina

Mãe do sanfoneiro Eliedelson Possidônio Júnior, 32 anos, a empresária Conceição Mendes, 56, pegou um voo do Ceará para a Bahia assim que soube que o filho, que se apresentava em shows no interior do estado, havia sido baleado durante uma ação da Polícia Militar, na madrugada desta sexta-feira (5), no município de Irecê, no Centro Norte baiano. Segundo a empresária, que acompanha o filho no Hospital Geral do Estado (HGE), Eliedelson está traumatizado.

O sanfoneiro estava a bordo de uma Hilux SW4 preta, acompanhado de outras quatro pessoas, todos integrantes da banda de forró Sala de Reboco, de Fortaleza, quando foi abordado por uma viatura, de acordo com Conceição, despadronizada. A dançarina do grupo, Gabriela Amorim, 25, não resistiu aos ferimentos e morreu. A cantora Joelma Rios, 44, foi atingida nas nádegas, mas se recupera bem. Ao CORREIO, ela afirmou que pelo menos 38 tiros foram disparados pelos militares. 

 

TÁXI AÉREO

Eliedelson, que passou por duas cirurgias no Hospital Geral de Irecê, chegou na capital ontem à noite, depois que a família contratou um táxi aéreo. À mãe, a vítima relatou a mesma versão já sustentada pela cantora, de que os PMs não se identificaram como policiais e seguiram o grupo sem dar qualquer sinal de uma abordagem. Procurada pelo CORREIO, a PM reafirmou que um Inquérito Policial Militar (IPM) foi aberto para apurar o crime. Em nota, voltou a dizer que o carro das vítimas trafegava na contramão e furou dois bloqueios.

“O carro deles estava na estrada, já seguido por este carro com os policiais, sem qualquer identificação. Diminuíram a velocidade, o carro não ultrapassou. Quando aumentaram a velocidade, os militares aumentaram também e aí, claro, qualquer um pensaria que era um carro com bandidos”, afirmou, na manhã deste sábado (6), enquanto aguarda os médicos decidirem se Eliedelson vai precisar passar por uma terceira cirurgia na perna, de onde a bala já foi retirada.

A empresária também contou que o filho e os colegas de banda, entraram em uma rua da cidade para “escapar do carro”, certo de que estavam livres de “bandidos”, mas que, ao retornarem à estrada, se depararam com o mesmo carro, dessa vez, acompanhado de um outro. “Eram, pelo menos, quatro policiais no primeiro carro. Meu filho disse que eles desceram do carro, imploraram que parassem e disseram que era músicos, não teve jeito”

Trauma
Conceição disse que o filho, que é sanfoneiro há 20 anos, já havia se apresentado na Bahia antes. Eliedelson, que não era músico fixo da banda de forró, está consciente e já conversa com a família. Ele contou à mãe que não consegue esquecer o momento em que Gabriela Amorim caiu, já morta, ao seu lado.

A empresária disse que o acordeon do filho chegou a servir de escudo durante o tempo em que os PMs atiraram. O instrumento ainda está sob posse da polícia, acrescentou Conceição. Segundo ela, a expectativa é de que a família consiga retornar à cidade natal até a próxima segunda-feira (7).

Por meio de nota enviada à imprensa nesta sexta-feira, a Polícia Civil informou que equipes da 14ª Coordenadoria Regional de Polícia do Interior de Irecê (14ª Coorpin) investigam as circunstâncias da ação. A PM, também por meio de nota, reafirmou que a Hilux furou “dois pontos ostensivos de bloqueio” em alta velocidade. Questionada sobre quantos policiais participaram da ação e, ainda, se eles estão afastados de seus postos de trabalho, a corporação não respondeu.

Fonte: CORREIO

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