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Cupins constroem cidade milenar no subsolo da Chapada Diamantina

Rede de cupinzeiros é a maior obra de bioengenharia do mundo
Cupins constroem cidade milenar no subsolo da Chapada Diamantina

No luar do Sertão baiano, há cerca de 4 mil anos, começou a ser erguida aquela que é, provavelmente, a maior cidade construída por um ser vivo na superfície da Terra. Nome nem tem, mas em extensão territorial vai longe: caberia nela uma Grã-Bretanha! Aliás, vamos de comparações mais próximas: a área é equivalente a 330 cidades de Salvador; ou dois estados de Pernambuco; ou quase metade da Bahia. Sim, a bicha é grande, mas seus habitantes – reclusos e discretos, de hábitos noturnos –, bichos bem pequenininhos.

Construída por cupins da espécie Syntermes dirus, que mede aproximadamente 1 cm e se alimenta basicamente de folhas secas, a cidade subterrânea que fica quase totalmente em território baiano (cerca de 90%) virou notícia internacional, esta semana, após a publicação numa revista norte-americana de um artigo científico comandado por um pesquisador com doutorado na Universidade Estadual de Feira de Santana (Uefs).

Americano naturalizado brasileiro, o biólogo Roy Funch, 70 anos, já havia percebido há muito tempo que os montes de areia feitos por cupins, conhecidos como murundus, eram muito frequentes na região de Lençóis, cidade da Chapada Diamantina onde mora há mais de 40 anos. No entanto, tardou a encontrar parceiros para estudá-los a fundo.

Com a ajuda de pesquisadores estrangeiros, nos últimos três anos, as descobertas foram impressionantes. Uma delas, vista do solo, dava conta de certo padrão entre as formações: cerca de 9 metros de diâmetro e 2,5 metros de altura por montículo. 

Outros achados, agora vistos do alto, também chamaram a atenção. Primeiro por outro padrão sobre a distância dos murundus: cerca de 20 metros entre eles. Depois, a estimativa de que haja 200 milhões deles, formados a partir da construção da rede subterrânea que compõe o grande cupinzeiro. 

“A quantidade de material que os cupins mexeram para deixar esses montes cobriram uma área enorme e é algo inédito no mundo”, comenta Funch, que nasceu perto de Nova York, mas encontrou seu lugar no universo, por acaso, ao visitar a Cachoeira da Fumaça, em 1977. “Foi amor à primeira vista na Chapada Diamantina”, diz ele, que se mudou para a Bahia no ano seguinte – atualmente é casado, tem cinco filhos e sete netos baianos.

Apesar de poucos amistosos entre si, os bichinhos não são tão ruins. “Tem muitos cupins diferentes. Alguns são os malvados, que comem nossas portas e armários, mas esses são inócuos. Eles só vivem na caatinga e só comem folhas secas. São cupins neutros, do bem, que não incomodam a gente”, brinca o pesquisador, antes de destacar o papel dos bichinhos na natureza.

 

Fonte: Correio 24h

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