Brasil e Mundo

Carnificina no Compaj só perde para o Massacre do Carandiru em mortes

Com número de mortos entre 50 e 60, segundo o governo, rebelião é a segunda mais sangrenta da história de presídios do País
Compaj virou um verdadeiro cenário de guerra no primeiro dia do ano (Foto: Reprodução)

A rebelião no Complexo Penitenciário Anísio Jobim (Compaj) marcou o nome do Amazonas negativamente na história do sistema prisional brasileiro. Com o total de mortos a ser finalizado, mas ficando entre 50 e 60, segundo o Governo do Estado, a rebelião já é o segundo maior massacre da história dos presídios brasileiros.

 

No ranking negativo, o banho de sangue do Compaj fica atrás apenas do nacionalmente conhecido Massacre do Carandiru, quando 111 detentos foram mortos, a maioria por policiais que entraram no local para conter uma rebelião. Pelas mortes, 73 foram condenados a penas que variam de 48 a 624 anos. No entanto, em setembro do ano passado, os julgamentos foram anulados porque, no entendimento da 4ª Câmara Criminal do Tribunal do Júri do Tribunal de Justiça de São Paulo, não havia elementos para mostrar quais foram os crimes cometidos por cada um dos agentes. Um novo julgamento será realizado.

 

Antes da chacina no Compaj, a nada honrosa “medalha de prata” de maior massacre ficava por conta da rebelião no presídio de Urso Branco, em Porto Velho, em 2002. Na ocasião, 27 presos foram mortos e o Brasil chegou a ser denunciado à Corte Interamericana de Direitos Humanos. O curioso é que a chacina em Urso Branco ocorreu também num período de fim de ano, no Réveillon de 2001 para 2002.

 

O ocorrido em Urso Branco se assemelha às situações registradas no Compaj, uma vez que presos do “seguro”, onde ficam detentos ameaçados de morte, também foram mortos e decapitados. Em Manaus, no entanto, o que chamou atenção foi a quantidade de mortos, mais que o dobro do ocorrido em Urso Branco.

 

Um vídeo que circula na internet mostra detalhes do banho de sangue visto dentro do Compaj. Sem qualquer restrição, um detento filma corpos esquartejados, colocados um em cima do outro, em uma espécie de carrinho para transportar cargas. A filmagem, que dura menos de 30 segundos, continua e corpos enfileirados mostram que o Compaj virou o palco de uma verdadeira guerra.

 

Outro vídeo que também circula nas redes sociais mostra detentos apresentando como verdadeiros troféus as cabeças de presos identificados como Bruninho, Moicano, Manabu, Edinho e Manoel Tatu. “Tudo do PCC. Isso é a resposta que a FDN dá pra safado”.

 

As siglas PCC e FDN representam Primeiro Comando da Capital e Família do Norte, as duas principais facções criminosas que atuam no narcotráfico no Amazonas. De acordo com o secretário Sérgio Fontes, da pasta de Segurança Pública, a rebelião foi causada pela guerra entre as duas facções. A ação, orquestrada pela FDN, tinha como alvo os membros do PCC. “Foi só um lado que teve mortos. A FDN massacrou os supostos integrantes do PCC e mais um ou outro desafeto que eles tinham naquele momento. Não houve uma contrapartida da outra facção”.

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