Cancelamento do São João por coronavírus será inevitável na Bahia, diz UPB

Cancelamento do São João por coronavírus será inevitável na Bahia, diz UPB

As perdas de arrecadação dos governos federal, estadual e municipal, como consequência da crise econômica gerada pelo avanço do novo coronavírus, e a queda de repasses do Fundo de Participação dos Municípios (FPM), inviabilizarão o São João 2020 da Bahia, afirmou a União das Prefeituras da Bahia (UPB).

“O Governo da Bahia nos passou que o pico da doença é entre abril e maio, meses em que as prefeituras realizam licitações para a festa e as particulares se organizam. Junho ainda vai ser mês de preocupação e, somente em julho ou agosto é que teremos estabilidade. Então, isso, aliado à queda de FPM, resultará em suspensão do São João, será inevitável”, disse ao CORREIO o 1º Tesoureiro da UPB, Marcão Cardoso, que também é prefeito de Santana e presidente do Consórcio de Saúde da Bacia do Rio Corrente. 

Até o momento, prefeituras de dois municípios se anteciparam no cancelamento do festejo junino: Conceição do Almeida, no Recôncavo da Bahia, e Vitória da Conquista, no sudoeste do estado. Nenhuma delas registrou casos confirmados da Codiv-19.

Conceição do Almeida anunciou na quarta-feira o cancelamento do São João do Almeidão 2020, prevendo queda de 40% a 50% do repasse do FPM.

Já Vitória da Conquista anunciou nesta quinta o cancelamento do Arraiá da Conquista e informou, através de comunicado oficial da prefeitura, que “pela experiência de outros países, essa crise vai demorar e a prevenção é a melhor arma contra o coronavírus”.

“O cancelamento do Arraiá da Conquista pode representar perdas econômicas, mas para nós, do Governo, o mais importante não é a economia, e sim o bem estar de nossa gente. Lamentamos pela decisão de ter que cancelar essa importante festa, mas quando falamos em vidas, nada mais importa”, completa o documento.

À reportagem, Marcão Cardoso afirmou que vai cancelar não apenas o São João de Santana, que estava previsto para acontecer entre os dias 17 e 23 de junho, como também a Micareta, no final de julho, e a Exposição Agropecuária da cidade. Ele disse ainda que a UPB ainda não tem dados sobre quanto será na Bahia a queda de repasse do FPM, realizado pelo Governo Federal.

“O certo é que a queda vai ser grande”, declarou. “Estamos fazendo estudos na UPB para verificar melhor de quanto será o prejuízo, não só com relação ao repasse do FPM, mas também com outros impostos que deixarão de ser arrecadados nesse período em que estivermos enfrentando esse vírus. Imagine quanto as prefeituras deixarão de arrecadar de ISS (impostos sobre serviços), por exemplo”.

Segundo relatório do Observatório de Informações Municipais, que realiza estudos sobre a realidade municipal no Brasil, para março, em toda a Bahia, estava previsto repasse de FMP de R$ 527.170.869; em abril o valor seria de R$ 616.789.917; e em maio de R$ 789.491.094. As estimativas já deduzem os recursos destinados ao Fundo Nacional da Educação Básica (Fundeb).

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